quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Associação Paulista dos Críticos de Arte escolhe os melhores de 2010

Em assembléia realizada na noite desta segunda-feira-feira, 13 de dezembro, no Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo, a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) escolheu os melhores de 2010 nas seguintes categorias: Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Música Erudita, Rádio, Teatro, Teatro Infantil, Televisão e, pela primeira vez nos seus 54 anos de história, também em Arquitetura. A nova categoria estréia na APCA concedendo três prêmios. Este ano, a diretoria da APCA concede um prêmio especial a Jacó Guinsburg, pelo trabalho desenvolvido na Editora Perspectiva. A cerimônia de entrega de todos os prêmios acontecerá ao final do primeiro trimestre de 2011, no Teatro Sesc Pinheiros, em São Paulo. Oportunamente, a data será da festa será divulgada, bem como os seus apresentadores. A APCA está em busca de patrocínio para a realização da festa, que consagra a classe
artística brasileira.

TEATRO
Grande Prêmio da Crítica: Antunes Filho, pela inestimável contribuição ao teatro brasileiro
Espetáculo – 12 Homens e Uma Sentença
Diretor: Rodolfo García Vazquez (por “Roberto Zucco”)
Autor: Samir Yazbek (por “As Folhas do Cedro”)
Ator: Danilo Grangheia (por “Êxodos – o Eclipse da Terra”)
Atriz: Bel Kovarick (por “Dueto para Um’)
Prêmio Especial: “O Idiota” (pela realização do projeto)
V o t a r a m: Afonso Gentil, Erika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Jefferson del Rios,
Luiz Fernando Ramos, Mauro Fernando, Maria Lúcia Candeias, Michel Fernandes, Vinício
Angelici
TEATRO INFANTIL
Espetáculo Infantil: “Circo de Pulgas”, da Cia. Circo de Bonecos
Espetáculo Jovem: “Música para Cortar os Pulsos”, do Empório de Teatro Sortido
Direção: “Espoleta”, de Marcelo Romagnoli
Adaptação: “A Mulher que Matou os Peixes e Outros Bichos”, adaptado por Isabel Muniz
Elenco: “O Bobo do Rei”, da Cia. Vagalum Tum Tum
Direção de Arte: “Quem Tem Medo de Curupira?”, Duda Arruk
Figurino: “O Soldadinho e a Bailarina”, Gabriel Villela
V o t a r a m: Dib Carneiro Neto, Gabriela Mancini e Gabriela Romeu

terça-feira, 31 de agosto de 2010

II MOSTRA SESC DE ARTES UNIVERSITÁRIAS

II MOSTRA SESC DE ARTES UNIVERSITÁRIAS
teatro, dança, música, performance, moda, cinema e vídeo, artes visuais
Inscrições abertas

Acadêmicos de Graduação e Pós-Graduação de todo o País têm até o dia 24 de setembro para encaminhar sua inscrição à II Mostra Sesc de Artes Universitárias.
Em sua segunda edição, a Mostra será realizada no período de 06 a 14 de novembro de 2010, no SESC da Esquina. O evento terá atividades nas áreas de teatro, dança, música, moda, performance, cinema e vídeo e artes visuais. Para a edição deste ano, a Mostra contemplará apresentações, oficinas, palestras, debates e outras atividades formativas.
Um espaço dedicado à interlocução entre estudantes universitários, espectadores, pensadores e consumidores de arte. Cada apresentação será seguida de debate, estimulando a troca de conhecimento e experiências.
A Mostra vem ao encontro da carência dos universitários em não dispor de espaço para apresentação de suas ideias, projetos, produções, exposições, shows, espetáculos.

O evento tem como objetivo criar espaço para apresentação de cunho experimental e novas linguagens na arte, além de apoiar, difundir, promover o diálogo e fusão das artes, proporcionar a troca de experiências, oferecer conhecimento teórico e prático e acima de tudo destacar e valorizar a produção acadêmica. A Mostra será gratuita e a programação será preenchida única e exclusivamente por trabalhos acadêmicos.

Os trabalhos inscritos serão analisados por uma banca curadora, composta por profissionais de cada área de abrangência do evento. As propostas de apresentações deverão vir acompanhadas de ações paralelas, indicadas pelos acadêmicos, como oficina, bate-papo, mesa-redonda, com o intuito de promover a pesquisa e a valorização do fazer artístico.

A cada edição busca-se ampliar o evento e dispor novas ações para ampliar o conhecimento acadêmico e a integração de universitários de diferentes cursos e Instituições. Para 2010 esperam-se inscrições de várias regiões do País.

Regulamento e ficha de inscrições no site www.sescpr.com.br

Mais informações no SESC da Esquina (41) 3304 2222

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MIRADA} festival de teatro reúne 12 países de 2 a 11 de setembro


TV BRASIL INTERNACIONAL NA INTERNET

RELEASE – PARA DIVULGAÇÃO IMEDIATA
TV BRASIL INTERNACIONAL NA INTERNET - Agosto de 2010

A Empresa Brasil de Comunicação - EBC lançou, em maio de 2010, a TV Brasil Internacional. O evento marcou o início das transmissões da nova emissora.

A TV Brasil Internacional estreou no continente africano, onde o sinal é disponibilizado para 49 países, incluindo os de língua portuguesa, através da operadora de DTH e cabo Multichoice.

O canal vem oferecer uma programação diferenciada e complementar, como compete a uma televisão pública, com a missão de levar informação e cultura brasileira, em todos os seus aspectos, aos mais de 3 milhões de brasileiros residentes no exterior e aos que se interessem pelo Brasil.

        Os próximos passos são as transmissões para os Estados Unidos, Japão e América Latina, com negociações bastante adiantadas. O objetivo da EBC é conseguir que os assinantes de pacotes de canais de língua portuguesa tenham
acesso gratuito a TV Brasil Internacional, como já vem ocorrendo com a Multichoice, na África.

Gostaríamos de informar que a página da TV Brasil Internacional já está disponível no seguinte endereço:


onde a programação 24 horas da TV Brasil Internacional é apresentada ao vivo.
  
Para mais informações:
 
Telefone: (55) 61 - 3799-5889 ou 3799 5240

domingo, 14 de março de 2010

O Amargo Santo da Purificação: uma obra didático-alegórica

O Amargo Santo da Purificação: uma obra didático-alegórica

“A Tribo de Atuadores Ói nóis aqui traveiz”, de Porto Alegre, se apresentou em Curitiba, na Praça Rui Barbosa e no Parque do Jardim Zoológico (se não chovesse) durante sua estada na cidade — dias 11, 12, 13 e 14 de março —. Cumprindo uma agenda bastante intensa de espetáculos, encontros, debates, oficinas e palestras oxigenando os ares teatrais da cidade e oxigenando a eles próprios, retomando fôlego para continuar a turnê dentro do projeto patrocinado pelo Programa BR de Cultura 2009/2010 da Petrobrás.

A Tribo dos Atuadores como o Grupo também se autodenomina é um dos coletivos teatrais brasileiros mais longevos com trinta anos de intensa prática teatral consolidando essa trajetória com o Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica, Terreira da Tribo.

O espetáculo apresentado dessa vez foi o Amargo Santo da Purificação: uma visão alegórica e barroca da vida, paixão e morte do revolucionário Carlos Marighella. Baseado na vida deste ilustre brasileiro, o espetáculo é o que seu título promete. Sendo um espetáculo concebido para rua, sua marca expressiva, neste caso, é a alegoria, não há duvidas, para abordagem de tão contundente tema, aliado a um rico didatismo que por sua vez, demonstra uma excelente assimilação do legado brechtiano. O “barroco” do subtítulo pode ser emprestado a uma certa estética mais glauberiana do que propriamente barroca no sentido mais amplo que o estilo possa sugerir. Certamente, que o pedestre-espectador está diante de um espetáculo épico. A alegoria é explícita devido à necessidade de uma convenção que se faça eficaz e rápida diante da condição buliçosa que a própria rua como espaço teatral apresenta. A alegoria visual promove a adesão do espectador-pedestre que no seu percurso é pego de roldão pelo formato espacial do círculo mágico construído pela Tribo de Atuadores que desde aí conta sua história. O espetáculo é um excelente modelo de resultado de um trabalho teatral de criação coletiva tanto do ponto de vista da dramaturgia quanto do ponto de vista da encenação. O roteiro apresentado no programa especifica as escolhas narrativas, após um mergulho no universo de Marighella, oferecendo ao pedestre-espectador uma seqüência de 12 cenas intituladas: 1. As origens; 2. O nascimento: Vai Carlos, ser Marighella na vida!; 3. Apresentação: Quem é você Marighella? Um mulato baiano; 4. O Estado Novo, Ditadura de Getulio Vargas; 5. Redemocratização e Constituinte; 6. O Amor de Carlos e Clara; 7. O golpe de 64; 8. Resistência; 9. AI 5: os anos de chumbo; 10. A Luta Armada; 11. Perseguição e morte; 12. Legado: o gesto que fica. Esses “quadros”, quase independentes, ou esses momentos que ressaltam a trajetória de Marighella são apresentados em formato musical, seja por meio da musica instrumental, seja por meio, unicamente, do jogo dos atores com suas coreografias e movimentações cênicas. Cantando, clamando e dançando inspirados pelos poemas do próprio Marighella, a Tribo conta essa história cuja textura e cor são oriundas da cultura popular, do candomblé, da capoeira, matriz cultural com a qual se identificava o próprio revolucionário-poeta, enquanto homem, cidadão e político. Escolher, selecionar e apontar um sentido é sempre um trabalho operoso, e, é em certa medida abrir mão de outras partes, certamente, tão engenhosas quanto as que nos são mostradas na composição do todo da obra. Nesse sentido, a direção se vale do coeso trabalho do conjunto de atores que de forma orgânica e integrada com excelente percepção do timing das cenas vão desdobrando um quadro noutro quadro. A encenação, acertadamente, ao optar pela subtração dos vestígios de uma narrativa realista convencional, com personagens individualizados, e ao apostar no didatismo da alegoria oferece elementos para uma forte empatia entre atuadores e pedestres-espectadores.

domingo, 7 de março de 2010

Grupo "Oi nois aqui traveiz" em Curitiba dias 11, 12 e 13 de março de 2010 - PALESTRA / ENCONTRO

PALESTRA

"Ói Nóis Aqui Traveiz - 32 anos: O Teatro de Rua no Brasil"

“Conversa com os Grupos e Cias de Teatro de Curitiba”

Dia 11 de Março, Quinta Feira às 10h00min na sede da Ciasenhas de Teatro

Rua São Francisco, 35 - Centro

A palestra "Ói Nóis Aqui Traveiz - 32 anos: O Teatro de Rua no Brasil", ministrada por Paulo Flores e Tânia Farias, abordará o Teatro de Rua como forma de democratizar o espaço cênico e a experiência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz inserida neste cenário. Vinculado a bases populares ou partindo de experiências mais contemporâneas, o Teatro de Rua no Brasil de hoje é uma das manifestações mais vivas e significativas da arte cênica nacional.

Grupo "Oi nois aqui traveiz" em Curitiba dias 11, 12 e 13 de março de 2010 - MESA REDONDA

MESA REDONDA

O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO: MESA REDONDA SOBRE CARLOS MARIGHELLA, POLÍTICA E REPRESSÃO

Dia 11 de Março, Quinta Feira às 18h00min no Teatro da Caixa

Entrada Franca mediante retirada de ingresso duas horas antes

(capacidade 120 pessoas)

Integrantes do Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz de Porto Alegre, que apresentam o espetáculo O Amargo Santo da Purificação sobre a vida e trajetória política de Carlos Marighella (1911-1969).

Judite Barbosa Trindade é professora do Departamento de História da UFPR e ex-presa política.

Silvia Calciolari é jornalista, mestre pela UFPR em Sociologia das Organizações e autora do livro Ex-presos políticos e a Memória social da tortura no Paraná.

Narciso Pires é presidente do Tortura Nunca Mais – Pr, militante de direitos humanos e ex-preso político, roteirista do vídeo Ditadura nunca mais.

Mediação: Walter Lima Torres, professor de Estudos Teatrais da UFPR

Grupo "Oi nois aqui traveiz" em Curitiba dias 11, 12 e 13 de março de 2010 - ESPETÁCULO

ESPETÁCULO

O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO

Dia 12 de Março, Sexta Feira, 16 horas na Praça Rui Barbosa – Centro

Se chover muito o espetáculo acontece no Sábado dia 13 no mesmo horário

Grupo "Oi nois aqui traveiz" em Curitiba dias 11, 12 e 13 de março de 2010 - WORKSHOP / OFICINÃO NA FAP

WORKSHOP DE TEATRO DE RUA

Dia 13 de Março, Sábado às 17hs na FAP(Faculdade de Artes do Paraná)

Rua dos Funcionários, 1357 - Cabral

O workshop de Teatro de Rua (30 vagas) acontecerá de forma gratuita para atores e interessados a partir dos 16 anos. Em um encontro de quatro horas coordenado pelos profissionais do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, abordará os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva que a rua seja palco de um teatro que se assuma como constante repensar da sociedade.

Tem o objetivo de abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social.

domingo, 22 de novembro de 2009

Simpósio Temático Teatro e Gênero

Caros (as) Colegas, As professoras Kátia Rodrigues Paranhos (UFU/MG) e Maria Brígida de Miranda (UDESC/SC) convidam a todos interessados a inscreverem-se no Simpósio Temático Teatro e Gênero. Para tanto, basta entrar na página no evento, http://www.fazendogenero9.ufsc.br/inscricoes, e seguir as instruções. As inscrições já estão abertas e a data limite é 28 de fevereiro de 2010.

Seminário Internacional: Grotowski 2009

Seminário Grotowski 2009 em Minas Gerais A coordenação geral do evento é de Tatiana Motta Lima (UNIRIO). A parte mineira do evento é coordenada por: Ricardo Gomes (UFOP) e Fernando Mencarelli (UFMG). Para inscrever-se no seminário e na oficina em Ouro Preto: grotowski.mg@gmail.com (inscrições para a oficina até o dia 30/12 e para o seminário até o dia 9/12) Para maiores informações sobre todo o evento: www.grotowski2009.com.br

terça-feira, 8 de setembro de 2009

V COLOQUIO INTERNACIONAL DE TEATRO - Montevideo, 1 al 4 de octubre de 2009

V COLOQUIO INTERNACIONAL DE TEATRO Montevideo, 1 al 4 de octubre de 2009 NUEVAS FRONTERAS DEL TEATRO PRIMER COMUNICADO Y CONVOCATORIA El Dpto. de Teoría y Metodología Literarias de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad de la República, convoca al V Coloquio Internacional de Teatro que se realizará del 1º al 4 de octubre de 2009. En esta oportunidad el coloquio se desarrollará en el marco del Festival Internacional de Artes Escénicas, organizado por el Ministerio de Educación y Cultura, lo que multiplicará su alcance y el intercambio entre críticos, investigadores, historiadores y creadores uruguayos y extranjeros. El temario del V Coloquio se centrará en el enfoque de las Nuevas fronteras del teatro en su relación con las artes escénicas, con las demás artes y con otras prácticas simbólicas. Actualmente, los marcos disciplinarios de la producción cultural están transformándose y las consecuencias de esto pueden observarse también en el teatro y las artes escénicas. No sólo las nuevas realidades transforman el marco de la producción simbólica sino que esta producción tiene un papel fundamental en la transformación de dichos marcos, y el rol de las artes escénicas en este aspecto es fundamental, como señalan numerosos teóricos e historiadores. Es por estos motivos y aprovechando la presencia en el festival de espectáculos y artistas que son destacados referentes en el campo de las transformaciones mencionadas, que se entendió oportuno y pertinente el tema elegido. Se invita, por lo tanto, a presentar ponencias sobre dicho tema, desde diferentes perspectivas disciplinarias. Las ponencias tendrán una duración de 15 a 20 minutos, con un máximo de 6 carillas de 30 líneas (Times New Roman, 12). Los resúmenes deben enviarse antes del 1º de setiembre de 2009 a: coloquio5ponencias@gmail.com Una Comisión Académica evaluará las propuestas. Se espera realizar posteriormente una publicación con una selección de las ponencias. Inscripciones sin ponencia: hasta el 1º de octubre 2009, en la Secretaría del Instituto de Letras de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, UDELAR: de lunes a viernes de 9.30 a 12.30 hs. Magallanes 1577, esq. Uruguay, teléfono: 401 64 05. O por correo electrónico: coloquio5inscripciones@gmail.com Se expedirá certificado de asistencia. Por más detalles: www.coloquiodeteatro.blogspot.com Auspician: Dirección de Cultura del Ministerio de Educación y Cultura Departamento de Cultura de la Intendencia Municipal de Montevideo.

Inscrições para o I CECLIT (I Colóquio de Estudos Críticos da Literatura)

Continuam ABERTAS as Inscrições para o I CECLIT (I Colóquio de Estudos Críticos da Literatura), que acontecerá em Pau dos Ferros, no Campus da UERN, nos dias 15 e 16 de outubro de 2009 . Maiores informações, favor acessar o endereço http://geclit.blogspot.com/ e ler Orientações para as Inscrições abaixo. EIXOS TEMÁTICOS PARA AS COMUNICAÇÕES: 1. Intertextualidades: literatura e mito Relações intertextuais. O diálogo da literatura com outras formas de expressão cultural. A confluência literatura, mito e cultura. 2. Poesia e Modernidade Análise de produções poéticas modernas. Os poetas fundadores da modernidade e os desdobramentos dos aspectos da chamada lírica moderna. Leitura da poesia e da prosa líricas modernas. 3. A narrativa contemporânea Aspectos da narrativa contemporânea. Abordagens teóricas da narrativa. Prosa poética e subjetividade moderna. A narrativa no teatro. 4. Literatura e outras artes A produção literária na sua relação com outras artes: Imagens e narrativas contemporâneas; Literatura e cinema; Literatura e fotografia; Poesia e pintura. 5. Literatura, Memória e Identidade Estudos do texto literário que articulem literatura, memória e identidade, sustentados em expressões identitárias e históricas, culturalmente constituídos. Conto com o apoio de todos na divulgação e participação. Atenciosamente, Prof. Gilton Sampaio de Souza Diretor do CAMEAM/UERN

terça-feira, 1 de setembro de 2009

I CONGRESO INTERNACIONAL DE TEATRO: Buenos Aires 21 al 24 de octubre de 2009

INSTITUTO UNIVERSITARIO NACIONAL DEL ARTE DEPARTAMENTO DE ARTES DRAMÁTICAS I CONGRESO INTERNACIONAL DE TEATRO III CONGRESO NACIONAL DE TEATRO Buenos Aires 21 al 24 de octubre de 2009 Organiza Instituto de Investigación en Teatro Departamento de Artes Dramáticas (IUNA) Sede: Departamento de Artes Dramáticas (IUNA) French 3614 – Buenos Aires Recepción de Resúmenes e Inscripciones: dramaticas.instituto@iuna.edu.ar Plenarios con invitados especiales, mesas redondas, ponencias, talleres para docentes y alumnos, muestras, espectáculos. Temario de Ponencias y Plenarios • La autorreferencialidad en teatro • La interrelación artística • La teatralidad expandida • Cruces de disciplinas • Nuevas propuestas de textos clásicos • Lo biográfico en teatro • La formación del actor • Teatro performático • Teatro post-dramático • Teatro y nuevas tecnologías • Teatro y género Presentación de ponencias. Hasta el 20 de Setiembre Consistirán en trabajos originales, inéditos y que estén vinculados con las áreas del temario propuesto. Pueden ser individuales o grupales. En caso de más de un autor, cada integrante se inscribirá como Expositor. Enviar resumen por email (hasta 300 palabras) hasta el 20 de septiembre con título de la ponencia, nombre del autor, lugar de trabajo y dirección electrónica. Los trabajos completos se presentarán al momento de la acreditación en dos copias y formato electrónico y su lectura no deberá exceder los 15 minutos (8 páginas a doble espacio, tipografía Times New Roman, cuerpo 12. Notas y bibliografía aparte) Selección para Muestras de Espectáculos. Hasta el 31 de agosto El material se presentará en formato DVD (cámara fija y sin editar). Al registro de imagen deberá adjuntarse una presentación en carpeta consignando: Título Ficha técnica Duración Presentación y descripción sucinta del espectáculo Material gráfico de promoción (si lo hubiere) Planta escénica Requerimientos técnicos básicos: Los proyectos no podrán exceder los 50 minutos de duración y deberán presentar un formato escénico (no podrá tratarse de ejercicios de clase, fragmentos escénicos o monólogos cuyo tratamiento no trascienda el plano de la ejercitación). Los proyectos deberán ser presentados hasta el 31 de agosto, por Mesa de Entradas junto a la Ficha de Inscripción a nombre de la Profesora Ana Cosentino. Serán evaluados por una Comisión Curatorial ad hoc. Aranceles del Congreso El pago de los mismos se realizará en el momento de la acreditación. Expositores: $100 hasta el 31 de agosto. $130 hasta la acreditación Asistentes: $ 50 Estudiantes: Sin cargo En todos los casos se entregará Certificado de Asistencia o Participación

terça-feira, 14 de julho de 2009

V COLOQUIO INTERNACIONAL DE TEATRO em Montevidéu

> V COLOQUIO INTERNACIONAL DE TEATRO > Montevideo, 1 al 4 de octubre de 2009 > NUEVAS FRONTERAS DEL TEATRO > PRIMER COMUNICADO Y CONVOCATORIA > > El Dpto. de Teoría y Metodología Literarias de la Facultad de Humanidades y > Ciencias de la Educación, Universidad de la República, convoca al V Coloquio > Internacional de Teatro que se realizará del 1º al 4 de octubre de 2009. > > En esta oportunidad el coloquio se desarrollará en el marco del Festival > Internacional de Artes Escénicas, organizado por el Ministerio de Educación > y Cultura, lo que multiplicará su alcance y el intercambio entre críticos, > investigadores, historiadores y creadores uruguayos y extranjeros. > > El temario del V Coloquio se centrará en el enfoque de las Nuevas fronteras > del teatro en su relación con las artes escénicas, con las demás artes y con > otras prácticas simbólicas. Actualmente, los marcos disciplinarios de la > producción cultural están transformándose y las consecuencias de esto pueden > observarse también en el teatro y las artes escénicas. No sólo las nuevas > realidades transforman el marco de la producción simbólica sino que esta > producción tiene un papel fundamental en la transformación de dichos marcos, > y el rol de las artes escénicas en este aspecto es fundamental, como señalan > numerosos teóricos e historiadores. > > Es por estos motivos y aprovechando la presencia en el festival de > espectáculos y artistas que son destacados referentes en el campo de las > transformaciones mencionadas, que se entendió oportuno y pertinente el tema > elegido. > > Se invita, por lo tanto, a presentar ponencias sobre dicho tema, desde > diferentes perspectivas disciplinarias. > > Las ponencias tendrán una duración de 15 a 20 minutos, con un máximo de 6 > carillas de 30 líneas (Times New Roman, 12). Los resúmenes deben enviarse > antes del 1º de setiembre de 2009 a: coloquio5ponencias@gmail.com > > Una Comisión Académica evaluará las propuestas. > Se espera realizar posteriormente una publicación con una selección de las > ponencias. > > Inscripciones sin ponencia: hasta el 1º de octubre 2009, en la Secretaría > del Instituto de Letras de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la > Educación, UDELAR: de lunes a viernes de 9.30 a 12.30 hs. > Magallanes 1577, esq. Uruguay, teléfono: 401 64 05. > O por correo electrónico: coloquio5inscripciones@gmail.com > Se expedirá certificado de asistencia. > Por más detalles: www.coloquiodeteatro.blogspot.com > > Auspician: > Dirección de Cultura del Ministerio de Educación y Cultura > Departamento de Cultura de la Intendencia Municipal de Montevideo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

II Jornada Latino-Americana de Estudos Teatrais

II Jornada Latino-Americana de Estudos Teatrais: (Experimentalismos e identidades) 13,14 e 15 de Agosto de 2009 Coordenação Dr. André Carreira (UDESC/CNPq) Profa. MS Patrícia de Borba (FURB) Comitê científico Dr. André Carreira (UDESC /CNPq) Dr. Fernando Villar (UnB) Dr. José Ronaldo Faleiro (UDESC) Dra. Julia Elena Sagaceta (IUNA Argentina) Dra. Maria Isabel Orofino (UDESC) Dr. Narciso Telles (UFU) Dr. Óscar Cornago Bernal (CSIC Espanha) Dr. Renato Ferracini(LUME Teatro / UNICAMP) Dr. Ricardo Kosovski (UNIRIO) Dr. Sérgio Coelho Farias (UFBa/ CNPq) Dra. Vera Collaço (UDESC) Dr. Walter Lima Torres (UFPr) Temário Teatro Latino Americano; Teatro e imaginários culturais; Novas tendências cênicas e fronteiras da teatralidade; Teatro e contexto; Recepção crítica; Formação teatral; Práticas pedagógicas. Está aberto o período para envio de propostas de comunicações para apresentação de comunicações na II Jornada Latino-Americana de Estudos Teatrais (Experimentalismos e identidades) O Comitê Científico da Jornada receberá as propostas sob forma de resumos para a seleção das comunicações ou pôsteres que serão apresentados no evento A taxa de inscrição deverá ser paga no ato de inscrição no primeiro dia do evento Valores: Professores R$ 50,00 – Estudantes R$ 25,00 NORMAS PARA ENVIO DE RESUMOS Prazo RESUMOS
até 27 de abril de 2009, segunda-feira, 18h; O resultado com as propostas aceitas será divulgado até dia 25 de maio Endereços para envio: jornada_teatral@hotmail.com Assunto do mail : Resumo FORMATAÇÃO do RESUMO a) Título em negrito, caixa alta, centralizado; b) Na linha seguinte, alinhado à esquerda, nome dos autores, por extenso seguido de colaboradores. No caso de estudantes identificar o nível de estudos, e orientador entre parêntesis, quando houver. Após este, indicar a unidade e a instituição, separando por ponto e vírgula os itens. Ex. Mariano Penna; Geraldo Máximo (Orientador); (PPGAC UFRGR) c) Papel A4, margens pelo default do Word; fonte Times New Roman, corpo 12, justificado, espaçamento com entrelinhas de 1,5 cm; na forma de texto corrido sem parágrafos. d) Ao final do corpo do resumo, identifique a(s) agência(s) de fomento (Ex.: Apoio FAPERJ, CNPq); e) Limite de texto do resumo: no mínimo 10 linhas, e máximo 15 linhas; f) Sem anexo de bibliografia. g) NÃO incluir imagens, gráficos, tabelas, referências. NORMAS PARA ENVIO DE TRABALHOS COMPLETOS Prazo TRABALHOS COMPLETOS até 22 de junho de 2009, segunda-feira, 18h; Endereços para envio: jornada_teatral@hotmail.com Assunto do mail : Trabalho Completo FORMATAÇÃO do TRABALHO COMPLETO a) Título em negrito, caixa alta, centralizado; b) Na linha seguinte, alinhado à esquerda, nome dos autores, por extenso seguido de colaboradores. No caso de estudantes identificar o nível de estudos, e orientador entre parêntesis, quando houver. Após este, indicar a unidade e a instituição, separando por ponto e vírgula os itens. Ex. Mariano Penna; Geraldo Máximo (Orientador); (PPGAC UFRGR) c) Papel A4, margens pelo default do Word; fonte Times New Roman, corpo 12, justificado, espaçamento com entrelinhas de 1,5 cm; d) Ao final do corpo do resumo, identifique a(s) agência(s) de fomento (Ex.: Apoio FAPERJ, CNPq); e) Limite de texto do trabalho completo: no mínimo 5 laudas, e máximo 15 laudas; f) A bibliografia não poderá exceder a uma lauda. Ver modelo de Referências bibliográficas para a versão final do texto: Referência bibliográfica CASTAGNINO, Raúl H. El circo criollo. Buenos Aires: Plus Ultra 1953. COLOMBO, María Susana. “Los primeros años del Juan Moreira en la Plata” (1886-1894), in Revista del Instituto Nacional de Estudios de Teatro, Tomo V n. 13. Buenos Aires, 1986. g) NÃO incluir imagens, gráficos, tabelas, referências. h) Notas ao final de texto Observação – Os trabalhos que não respeitem as normas dessa convocatória não serão incluídas na publicação do evento. Aproveitamos para observar que tempo da comunicação será de rigorosamente de 15 minutos. Exposição de pôsteres Envio de proposta na mesma data limite do envio do resumo e no mesmo formato do resumo. Os pôsteres deverão ser enviados em formato de 80 cm x 100 cm, impressos e plastificados já preparados para sua fixação na exposição. Não serão aceitos pôsteres de participantes que apresentem comunicações.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ENTREVISTA: BOB WILSON / JOSÉ SARAMAGO

Aí estão os links das entrevistas do Bob Wilson e do José Saramago dentro das "Sabatinas da Folha".

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Arthur Azevedo: breve panorama no seu centenário de falecimento

“De um lado do mar sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do pais. O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação européia.” .
J. Nabuco. Minha Formação, 1900.
Originário de uma família portuguesa, Arthur Azevedo nasceu no dia 7 de julho de 1855 em São Luís, no Maranhão. Era filho mais velho do cônsul português naquela cidade. Esse irmão mais velho de Aluísio Azevedo, cedo foi encaminhado, por seu pai, para o comércio. Segundo seus biógrafos desde muito cedo Arthur Azevedo demonstrou vocação para o teatro. Em colaboração com outros empregados do comércio, Arthur Azevedo animou um grupo de jovens amadores em torno do Gabinete Português de Leitura, uma biblioteca mantida pela comunidade lusitana de São Luís. Neste ambiente, Arthur e seu irmão Aluísio, deram azas às suas primeiras experiências imaginárias no âmbito do teatro.
Foi como poeta que Arthur publicou seu primeiro livro, Carapuças em 1871. Trata-se de um pequeno opúsculo de poesias, que retrata a cidade e as principais figuras da sociedade de São Luís. Apesar de seu talento juvenil, sua poesia satírica desgostou as personalidades que se viram caricaturadas pelo novato autor. Escreveu em seguida seu primeiro texto teatral Amor por Anexins, um curto ato com dois personagens. O velho Isaías que possui a particularidade de só exprimir-se por anexins, e a jovem viúva Inês. A ação da comédia centra-se no esforço de Isaías em não falar em anexins com o objetivo de casar-se com a jovem viúva. Comédia ligeira com traços de uma análise comportamental figura aí o germe de sua futura obra teatral. Com dezoito anos, em 1873, o jovem Arthur desembarcou num Rio de Janeiro em plena efervescência política e econômica. Por um lado, verificava-se o término da guerra do Paraguai, que durara toda a década de 1870, por outro continuava a guerra civil nos Estados Unidos. Em França, esta perdera as províncias da Alsase e da Lorraine para os alemães. Nota-se um ressurgimento da indústria brasileira em matéria de calçados, tecidos, instrumentos náuticos e ópticos, produtos químicos, vidro cigarro papel, etc.
Durante os dezesseis anos que precedem a República, as discussões políticas se produziam entre os três principais partidos da atualidade: o Conservador, o Liberal e o Republicano. A paisagem da cidade de São Luís, mais marcadamente colonial que a de Rio de Janeiro, formava um contraponto com a panacéia que era a famosa rua do Ouvidor e adjacências, com suas atrações cosmopolitas importadas da França. Na Corte, Arthur ganhou sua vida, primeiro, como revisor e tradutor de folhetins franceses para o jornal A Reforma. Desde o primeiro contato com o universo jornalístico, ele não deixaria mais o mundo das letras, forjando a partir do jornal sua atividade como folhetinista, contista e escritor de teatro. Arthur fez em seguida carreira no serviço público da corte, trabalhando primeiro no Ministério da Viação e depois como amanuense em companhia de Machado de Assis.
Aos vinte anos, em 1875, ele se casou com Carlota Morais. Esta relação durou apenas dez anos, sem que viessem a ter filhos. Na década de 1890, Arthur Azevedo contraiu segundas núpcias com Carolina Adelaide Leconflé. De ascendência francesa, ela, também viúva, trazia do primeiro casamento quatro filhos, e com Arthur Azevedo teve mais quatro: Arthur, Américo, Aluísio e Rodolfo.
No tocante à vida literária, a cidade do Rio de Janeiro vivia sob o efeito dos folhetins ao estilo de Victor Hugo, dos verso de Alfred Vigny e de Lamartine. Alexandre Dumas filho era o grande modelo no teatro desde os tempos do Ginásio, em 1855, com seu realismo romanesco moralizador e edificante. Em termos de teatro, o nome de Dumas filho só encontrava rivais em E. Augier e V. Sardou em peças que primavam pelo entrecho baseado na atualidade parisiense. Foi neste ambiente literário, nesta atmosfera francófila que Arthur logo conquistou um lugar de destaque. Na imprensa do Rio de Janeiro, a moda eram os pseudônimos. E Arthur os criou em série: “Eloy, o herói”; "Dorante'; "Gavroche"; "Frivolino"; "Frivolão'; "Cósimo"; "Cratchit"; "Petrônio"; "Juvenal"; "XYZ"; entre outros. Sua imensa produção jornalística se distribuía entre os principais jornais do Rio: O Paiz, A Notícia, O Correio da Manhã, A Revista Brasileira, O Século, Diário de Notícias, O Álbum. Essa intensa produção jornalística em grande parte foi dedicada ao movimento teatral. E neste caso destacam-se três rubricas: “De Palanque” no Diário de Notícias; “A Palestra” no O País e “O Teatro” em A Notícia. Essa produção reúne um denso material que nos permite conhecer, detalhadamente, o movimento teatral dos últimos anos do séc. XIX e os primeiros do séc. XX.
Como autor teatral, Arthur foi um dos mais profícuos de sua geração escrevendo em diversos gêneros mais de 150 peças: 19 revistas de ano; vários textos realistas sem a presença de música; peças para o teatro musical; diversas obras com ou sem música “decalcada” do repertório francês que foram o objeto de verdadeiras experiências intertextuais — paródias, pastiches, recriações e “adaptações à cena brasileira” —; além de inúmeras traduções. Deste conjunto destacam-se A Capital Federal; O Escravocrata; O Mambembe; A Jóia; O Oráculo, entre outros títulos.
Integrante da elite de nossos homens de letras, ele foi membro fundador na ABL da cadeira 29 cujo patrono é Martins Pena. Igualmente homem de teatro foi um animador cultural avant la lettre incansável, e, deve-se a ele, entre outras realizações, a campanha pela construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Dividido entre o teatro comercial e o literário — arte erudita e popular —, Arthur soube como ninguém estabelecer, na dramaturgia brasileira, a síntese entre formatos universalistas e conteúdos que manifestassem os valores emergentes de uma identidade brasileira. Ao ultrapassar o simples modismo passageiro vindo da Europa, ele consolidou as bases que já havia legado Martins Pena ao teatro nacional. Veio a falecer em 22 de outubro de 1908 aos 53 anos, no Rio de Janeiro no auge de sua carreira como autor dramático, ensaiador e crítico teatral.
(Artigo publicado no Jornal A Gazeta do Povo, Curitiba, outubro, 2008)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Seminários Internacionais Trans-Culturais sobre Teatro e Dança - PPGAC - UFBA - Salvador, 25 a 30 de agosto de 2008

Resumo da Aula Aberta nos Seminários Internacionais Trans-Culturais sobre Teatro e Dança - PPGAC - UFBA - Salvador, 25 a 30 de agosto de 2008 Objetivos: Apresentar e discutir as diferentes acepções do trabalho teatral do encenador. Procedimento: Aula expositiva privilegiando a discussão e o debate com os interessados. Público Alvo: Alunos-diretores e interessados por direção teatral. Ministrante: Walter Lima Torres Neto[1]

Os diferentes processos de encenação e as diferentes acepções do encenador

1 No início do século XX, mais precisamente por volta de 1903, no bojo do movimento Naturalista, quando André Antoine formalizou algumas idéias a respeito da arte e da técnica da encenação, forçou-se uma ruptura com um modelo anterior de coordenação artística e técnica do espetáculo que era desempenhado pela figura que genericamente podemos chamar hoje de Ensaiador Dramático[2]. De 1903 até os anos 1950 e 1960 perdurou muito fortemente uma tendência na direção teatral que foi basicamente textocêntrica, isto é, o diretor se comportava na maioria das vezes como um porta-voz do autor do texto dramático. Do texto advinha todo o matiz da cena. O texto seria portador de uma essência cuja cena deveria revelá-la o mais fortemente possível. A palavra do autor era traduzida assim do literário para o teatral. O trabalho teatral do diretor primava então por se associar, intimamente, à palavra do autor. Trabalhava-se para ser seu melhor intérprete formulando artisticamente o melhor implemento cênico para maior eficácia do texto teatral à representação diante do espectador. Essa operação se fazia independente do estilo de cada diretor, da tendência natural de cada olhar para cena. Ao contrário, contemporaneamente, importa menos saber exatamente de quem é a autoria da encenação, pois como se pode deduzir, apesar do sentido advir de uma orientação do “coordenador do espetáculo” — ensaiador, diretor, encenador — é inerente à criação teatral hoje sua capacidade de sintetizar uma prática expressiva que é coletiva, onde por vezes o sentido de autoria se perde. Essa perda é devida às tênues fronteiras entre os próprios agentes criativos que forjam os elementos que constituem a cena. E essa negociação se dá no momento do processo de trabalho onde se busca uma direção, um sentido geral para a obra cênica. E essa é uma forte tendência do momento presente. 2 O trabalho de montagem de um espetáculo cênico é a possibilidade de se dizer alguma coisa que não poderia ser dita de outra maneira, em outro formato. A pertinência da idéia ou da questão reivindica a cena teatral como lugar artístico precípuo para expressão dessa idéia, desse problema que aí se apresenta de forma poética. Cabe à direção teatral emitir um juízo. Um juízo estético. Ter respostas poéticas para a questão que lhe interessa. Dirigir é opinar. É dar opinião sobre um determinado tema, uma certa situação, uma personagem específica, um problema social objetivo, um fato político circunscrito no particular ou no geral de certa comunidade, etc. Dirigir é igualmente coordenar a parte artística e técnica, conciliando o espiritual e o material de um espetáculo. Se por um lado, dirigir um espetáculo é dar sentido a um juízo problematizando-o de forma poética, por outro, conceber um espetáculo é trabalhar com problemas estéticos e éticos. 3 Historicamente, quando o coordenador do espetáculo teatral lia um texto teatral era importante que aos poucos ele se fizesse uma idéia, particular, do que poderia vir a ser este mesmo texto num espaço determinado, dito por atores devidamente caracterizados, sob o efeito de certa iluminação, acompanhado ou não de som. De posse desta sua “visão” inicial, é que ele então partia para dialogar com uma equipe de agentes criativos no intuito de estabelecer o encaminhamento que se pretenderia dar àquela obra, na busca por uma concretude que revelasse a verdade daquele texto. Nessa mesma dinâmica o diretor e sua equipe acabavam por revelar as suas próprias idéias. Esse coletivo de agentes criativos manifestava assim uma particular visão de mundo segundo o resíduo ficcional contido no texto teatral interpretado. Esse foi e continua sendo o perfil daquele que designamos como sendo o moderno diretor teatral. Esse diretor é assim o articulador deste texto dramático que ganha a cena. Ele negocia, artística e tecnicamente, a passagem de uma determinada escrita dramática à condição de escrita cênica por meio do conjunto de agentes criativos que ele estimula a forjarem os elementos que engendram uma teatralidade, a identidade do espetáculo. Essa concepção inicial do moderno diretor é influenciada pela dinâmica do trabalho artístico dos demais agentes criativos envolvidos na montagem. E, as influências no processo de montagem são por assim dizer recíprocas formando uma espécie de vai e vem entre os agentes criativos — proposta, apresentação e estímulo —. O que estabelece uma sorte de ciclo ativador da criação. Quando se fala sobre a leitura de um determinado diretor acerca do texto de um autor, procura-se compreender a visão que tem o diretor da obra do autor visitado, visto que é o diretor o responsável pela encenação, e, por conseguinte pelo prazer ou desprazer indireto do espectador diante da linguagem engendrada por ele. A recente montagem de Hamlet por Peter Brook, que visitou o Brasil, chocou certos puristas, pois não poderia um ator negro interpretar o personagem do transloucado príncipe! Independente deste juízo, a visão de Peter Brook sobre o texto de Shakespeare é absolutamente diversa daquela versão encenada, por exemplo, por Patrice Chereau, em 1989 com Gerard Dessarthe no papel do príncipe vingador, enfatizando na sua atuação o aspecto cômico daquela figura real. E ambas montagens destoam das idéias que nortearam o arrojado projeto de Edward Gordon Craig e Constantin Stanislavski para o Teatro de Arte de Moscou, no início de nosso século. Recentemente, o ator Diogo Vilella dirigido por Marcus Alvisi também deu sua contribuição interpretativa ao herdeiro do trono da Dinamarca. Apesar de oferecer a este mesmo texto numa montagem muito interessante, ela era desprovida exatamente desse ponto de vista, ou seja, dessa subjetividade inerente ao olhar do diretor acerca da concepção da cena. Ainda não assisti à montagem de Aderbal-Freire Filho que traz no papel título do herói shakespereano, Wagner Moura, o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite. Já aí na escolha do ator, nota-se um critério interessante, independente do apelo midiático. 4 Durante muito tempo a coerência da cena, isto é, a sua concepção — à moda do ensaiador dramático —, esteve subordinada ao gênero dramático ao qual o texto estava filiado. Isto quer dizer que o formato do texto, seu gênero (peça militar, opereta, farsa, revista, burleta, drama de casaca, peça de capa e espada, vaudeville, grand-guignol, comédia, drama, etc) deveria ter uma tradução específica que refletisse exatamente esse formato “literário” sobre o palco. Esse princípio era inclusive muito importante para que o espectador, ao pagar pelo bilhete que lhe dava acesso ao teatro, tivesse a certeza do que iria ver e ouvir. Nesse sentido, a crítica jornalística especializada foi um agente definitivo na defesa de uma encenação que não desvirtuasse o teor do pensamento e da palavra do autor. Grandes polêmica se estabeleceram em tempos pretéritos. E ainda hoje, vez por outra, é reacendida essa velha polêmica entre agentes criativos e a crítica especializada. O debate se dá quando o argumento empregado pela crítica reprova o que se faz a partir de um texto, quando a encenação não atende às prescrições do autor dramático, traindo por assim dizer o seu “espírito”. Entretanto, é como diz José Ortega y Gasset — “Todo dizer é deficiente, diz menos do que quer. Todo dizer é exuberante, dá a entender mais do que se propõem” —. Essa ambivalência está na essência do trabalho de exegese sobre um texto dramático. Ela dá a dimensão hermenêutica que estimula o trabalho teatral de maneira geral e a concepção e organização de uma linguagem teatral de forma particular. Apesar das modificações da sociedade ocidental, das influências de outras artes, do audiovisual e da mídia sobre o teatro, essa visão descrita acima sobre a concepção dos espetáculos vinculados a uma tipologia sobrevive ainda hoje. Esta sobrevivência é constatada naqueles espetáculos explicitamente anunciados como entretenimento. A guisa de exemplo se poderia lembrar de títulos de sucessos históricos como — O Fantasma da ópera; O homem de la Mancha, Choros Line, Evita; Os miseráveis; Cat’s — entre outros que são montados rigorosamente sob um mesmo padrão em todo o mundo, atingindo uma alta escala em termos de reprodutibilidade. Os espetáculos, tal como as encenações de um Cirque du Soleil, por exemplo, são montados independentemente das praças a serem visitadas, sempre no mesmo formato que os originou. Essa reprodução em escala mundial aquece o mercado global da produção cultural e gera um ciclo econômico nada desprezível. Fazendo um breve paralelo com as telenovelas brasileiras, verifica-se que esse pertencimento ao gênero ou a uma certa tipologia de espetáculos mantém tencionado o fio da convenção que faz perpetuar no folhetim televisivo os princípios do teatro do século XIX brasileiro. Tanto quanto esse teatro de dramaturgia tipificada, auxiliada pelo emprego de atores-tipos para representarem papéis-tipos, a teledramaturgia brasileira se destaca e procura uma parte no mercado da globalização. Porém, muitas vezes, quando não se tem contato com a arte do teatro, e tendo em vista o enraizamento da televisão na comunidade brasileira, esta, por conseqüência, passa a condicionar a criação cênica limitando-a ao realismo audiovisual excluindo, sobretudo a poesia e o poder da convenção teatral. 5 Já faz um tempo que me dediquei nas horas mortas ou quem sabe perdidas a pensar um caminho relativamente lógico para demonstrar aos alunos-diretores que esse coordenador do espetáculo teatral reflete em primeiro lugar aquilo que de maneira geral denominamos de “o espírito de seu tempo”. Trata-se na verdade de uma mentalidade possível de ser manifesta graças às injunções cognitivas e as convenções celebradas pela própria sociedade na qual esse agente criativo se encontrava. Em primeiro lugar, a aparente classificação entre essas três figuras — ensaiador, diretor e encenador — não deve despertar nenhum sentimento de hierarquização. Como veremos os três comportamentos diante da concepção da cena (atuação, espaço, luz, som, cor, textura, forma, tempo, etc) não desapareceram. Apesar de poderem ser localizados cronologicamente dentro de nossa cultura e prática teatral, com maior ou menor intensidade de atuação, suas técnicas e procedimentos se justapõem. As características de seus Trabalhos Teatrais estão presentes ainda hoje em nosso cotidiano. Basta um pouco de observação para detecta-los. Em segundo lugar tenho que observar a facilidade legada pela própria língua portuguesa que na sua generosidade no oferece essas três denominações — ensaiador, diretor, encenador —. Normalmente, diretor e encenador são sinônimos e empregados com o mesmo objetivo resultando em idêntico significado. Entretanto, em 1982, quando da tradução de A Linguagem da encenação teatral de J-J. Roubine por Yan Michalski, o historiador e crítico teatral afirmava na sua Apresentação inicial desta obra que, seria melhor naquela altura, empregar “encenação” no lugar de ‘direção”, pois, dizia ele — “a nossa direção, além de possuir uma conotação potencialmente autoritária contrária ao espírito que prevalece na obra, refere-se mais de perto ao processo executivo de uma realização teatral, enquanto na palavra encenação vejo implícito, com maior força sugestiva, o resultado da elaboração criativa de uma linguagem expressiva e autônoma”[3] —. De fato o problema não está na riqueza da língua portuguesa, mas sim na exclusividade do emprego do termo mise-en-scène em francês. Esse termo é o único nesta língua para designar a encenação do espetáculo teatral. E por conseqüência alude a palavra metteur-en-scène para diretor ou encenador, apesar da ressalva de Yan Michalski. Ainda seguindo a pista deixada por Yan Michalski, sobre esse caráter “autoritário” do coordenador do espetáculo teatral como “o diretor”, é importante especificarmos as três figuras ainda pouco enunciadas. 6 Em termos cronológicos podemos localizar em primeiro lugar o trabalho do ensaiador dramático como o agenciador do espetáculo teatral num período dito pré-moderno; já a figura do diretor teatral estaria associada a criação da cena na sua fase moderna de nossa cultura e prática teatral; restando ao que chamamos de encenador o papel de criador da cena em tempos pós-modernos. Antes de descrever as características das três figuras em termos de procedimento de trabalho e concepção cênica seria desejável sinalizar, ainda que precariamente, essas faixas temporais. Apesar de não ser nossa ênfase aqui, é necessário lembrar que uma periodicidade não é aleatória e não pode deixar de estar associada às questões sociais e, mormente de ordem econômica neste caso. Há uma dinâmica na vida social e econômica que condiciona movimentos de subalternidade diante dos perfis apontados. Ainda não nos detivemos com o afinco necessário que a questão suscita sobre esse problema da periodicidade que continua em aberto. Entendemos então que, o legado que constitui o conjunto de técnicas e procedimentos de trabalho atribuídos ao ensaiador remontaria ao Renascimento. Desde o surgimento da perspectiva linear; o acabamento da caixa de ilusão da cena frontal com sua moldura e o arco do proscênio; e, a fixação de um repertório de gêneros claramente definidos herdeiro do século XVII pode-se identificar a trajetória desse perfil. Mesmo consciente do problema desta periodização acerca dessas faixas temporais, procuramos localizar o ensaiador nessa extensão temporal devido ao fato de que enquanto o tempo avançava, após a saída da Idade Média, sua função ora era desempenhada por um músico; um cenógrafo; um ator; um autor e, somente na segunda metade do século XIX é que temos notícia de que ele se dedica exclusivamente à representação. O século XIX é o momento culminante de seu trabalho visto a proliferação de teatros e o crescimento de uma demanda de entretenimento nas principais cidades européias e americanas. Quando eclode o advento do naturalismo no teatro é o ensaiador teatral o homem de confiança de diversos autores dramáticos que com suas peças querem chamar atenção para os novos fundamentos de uma arte que busca refletir o real de forma precisa, expondo a miséria dos ambientes e das personagens, rompendo uma vez por todas com a idealização do comportamento ficcional que reinava desde o classicismo. Pouco a pouco se delineia o perfil do moderno diretor teatral na esteira do trabalho de um André Antoine e de um Constantin Stanislavski. E daí em diante a noção de um diretor teatral que ao se colocar como porta voz do autor dramático também se vê na eminência de criar uma camada sígnica. Essa camada de subjetividade reflete a sua interpretação daquela obra dramática. E é essa espessura de significados que busca, aderindo ao texto, engendrar uma cena única para este mesmo texto. É o primado das diversas e possíveis versões de montagens de um mesmo texto por vários diretores diferentes. Essas diferentes propostas de montagens de um mesmo texto geram as mais distintas visões cênicas para glória da dramaturgia e sucesso da encenação. Este novo princípio de trabalho estipula a leitura de mesa pelo coletivo criativo e obriga a leitura da totalidade do texto por todo o conjunto de atores que passarão a entender sobre a totalidade da obra e sua idéia motriz. Ou no dizer de Stanislavski, seu super-objetivo. 7 Quando da reconstrução da Europa, durante o pós-guerra foi a noção de “Teatro de Arte” que se impôs para colaborar no reerguimento das identidades nacionais. Essa tendência teatral tinha fortes contornos humanísticos e clássicos. Diga-se de passagem, que foi essa concepção, similar aquela da virada do século XIX para o XX, agora repaginada após 1945 que levou Bertolt Brecht e Helene Weigel a se instalarem em Berlim Leste e criarem o Berliner Ensemble em 1949. Em Milão, Paolo Grassi e Giorgio Strehler construíram seu edifício para o Piccolo Teatro de Milano, inaugurado em 1947. Na França o TNP passou a ser dirigido por Jean Vilar em 1951, após convite feito pelo governo. Já desde 1947 esse diretor vinha trabalhando em prol da descentralização em função do Festival de Arte Dramática de Avignon, que ele próprio criara. Na Inglaterra, cujo teatro sempre teve uma tendência fortemente ligada ao entretenimento comercial, estabeleceu-se de pronto a valorização de um repertório que retomava os grandes clássicos elisabetanos. Tratava-se de um movimento geral tanto à leste quanto à oeste de Berlin. Com essa cidade passando a ser uma espécie de ponto de equilíbrio, entre as nações européias após o fim do conflito e o restabelecimento das fronteiras, o diretor teatral foi semeando a necessidade de se repactuar com a sociedade a condição da arte cência pelo canal do “Teatro de Arte”. Dessa década de 50’ em diante ainda nos anos 70’ e 80’ se afirmava o primado do diretor conforme Anne Ubersfeld gosta de chamá-lo, como aquele “diretor demiurgo” e por vezes irascível na imposição de suas idéias. São os descendentes de B. Brecht pelo viés alemão e os descendentes de J. Copeau por conta do Cartel, e mais tardiamente os herdeiros de V. Meyerhold e dos Simbolistas russos. Para esses diretores o influxo da cena estaria centrado no texto ainda que se divirja sobre o tratamento a ser ministrado. O texto ainda estava circulando entre a periferia e o centro da criação cênica. A experiência do Cartel na França[4] foi o exemplo mais bem acabado dessa proposta de visão de trabalho teatral junto aos elementos da cena. Esses diretores teatrais ainda trabalhando condicionados pelo texto não deixavam de oferecer um juízo sobre esse mesmo texto. Para exemplificar no caso brasileiro podemos lembrar as experiências dos diretores italianos que tanto colaboraram com o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e que encarnam exatamente esse perfil que estamos descrevendo — Luciano Salce, Ruggero Jacobbi, Adolfo Celi, Roberto D’Aversa, Gianni Ratto[5] —. Da década de 80’ para a de 90’, aqui no Brasil, há um adensamento entorno da figura do coordenador do espetáculo teatral bastante notória, e inclusive verificada na própria imprensa especializada. Sinaliza-se o dissolvimento dos grupos de “criação coletiva” e afirma-se a preponderância dos “espetáculos de diretores”. Verifica-se, daí em diante, uma série de novidades em termos processuais que altera a promoção, exibição e recepção de uma narrativa cênica, — procedimentos de exploração da cena por conta de novos recursos tecnológicos; realinhamento da chamada direção dos atores propondo-se uma nova situação para o ator no interior do espetáculo; uma nova aplicação da expressão oral e corporal; o estremecimento das fórmulas até então consagradas no emprego dos elementos da cena que são subordinados, não mais àquela idéia detectável ou “lida” no resíduo dramático, no texto teatral tradicional; etc. A cena agora estava definitivamente livre da literatura dramática ou de um núcleo ficcional que gerasse uma essência para estar subordinada a uma idéia autônoma que se torna encenação[6]. A guisa de conclusão estabelecemos um quadro sinótico sobre estes três perfis que deve ajudar a esclarecer o comportamento diante da produção daquilo que costumamos chamar de encenação ou escrita cênica. (A formatação do blog desfez o quadro. Tentarei outra estratégia para postá-lo).

************************************************************************************* [1] Walter Lima Torres Neto é ator, diretor e professor de estudos teatrais no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas e no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPR em Curitiba. [2] O trabalho da trupe do duque de Saxe-Meininger é exemplar como coletivo teatral que opera exatamente nessa fronteira entre o trabalho do ensaiador e a passagem para o trabalho dentro dos princípios do que se impôs mais tarde como moderno diretor teatral. Além de precursores desse novo pensamento sobre os procedimentos de encenação de um texto teatral, essa trupe também é a própria manifestação desse teatro dito pré-modernos. Consulte-se a esse respeito o trabalho de Pablo Iglésias Simón. “Direção cênica e princípios estéticos na companhia dos Meininger”, in: Folhetim, Nº 25, jan-jun, Rio de Janeiro, Teatro do Pequeno Gesto, 2007, pp. 06-31. Ou ainda, a já clássica coletânea de fragmentos de diversos diretores teatrais organizada por Toby Cole e Helen Krich Chinoy. Directors on Directing, Indianapólis, Bobbs- Merrill, 1963. [3] J.-.Jacques Roubine. Linguagem da Encenação Teatral, (trad. Yan Michalski), Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1982, p.14. [4] O Cartel foi integrado pelos diretores: Louis Jouvet; Gaston Baty; Charles Dullin e Georges Pitoëf. Tratava-se de uma associação colaborativa informal onde esses homens de teatro que comungavam dos mesmos princípios referente a uma cultura e prática teatral comum, ajudavam-se mutuamente na realização de seus espetáculos e projetos. Associa-se a esses criadores o estabelecimento de uma sistemática na direção da consolidação de um Teatro de Arte nas décadas de 1940-1950 na França. [5] Consulte-se a este respeito os trabalhos de: Maria de Lourdes Rabetti Gianella. Contribuição para o estudo do Moderno Teatro Brasileiro: a Presença Italiana. Departamento de História da FFCHL/USP, 1988; Berenice Raulino. Ruggero Jacobbi: Presença italiana no teatro brasileiro. São Paulo, Editora Perspectiva, 2002 e Alessandra Vanucci. Crítica da razão teatral: O teatro no Brasil visto por Ruggero Jacobbi. São Paulo, Editora Perspectiva, 2005. [6] Consulte-se a esse respeito o trabalho exemplar de análise de três espetáculos específicos do então criador cênico Gerald Thomas. Silvia Fernandes. Memória e Invenção: Gerald Thomas em cena, São Paulo, Editora Perspectiva, 1996.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Libreria Teatral no Teatro San Martín – Buenos Aires – Argentina

A livraria Teatral Salort é, devido à sua especialidade, trajetória e caráter itinerante uma das mais originais de Buenos Aires. Especializada em livros de teatro e dramaturgia, ela começou a funcionar em 1955 no hall do velho Teatro Cangallo. Em 1996 se instalou no foyer do Teatro Nacional Cervantes, e em 2000 funcionou na Casona Del Teatro. Ocupou uma loja nas calles Corrientes e Montevideo em 2007. E finalmente, neste ano de 2008, realizou-se o sonho tão acalentado há muito tempo de seu proprietário, José Maria Salort — instalar a Livraria no hall do Teatro San Martin, aonde funciona de terça feira a domingo sempre depois das 15:00hs.José Maria Salort, rodeado de uns dois mil livros atende à classe teatral portenha — atores, diretores, cenógrafos — gente de teatro da Argentina e do Estrangeiro que visitam esta prestigiada que apesar de ter encontrado porto seguro agora, não deixa de chamar atenção como uma espécie de Livraria Ambulante, tão ambulante e sempre provisória quanto o próprio teatro. Vida longa ao Senhor Salort e a sua Livraria Teatral!
www.libteatralsalort.com.ar / Tel. 5199-1003

sábado, 12 de julho de 2008

Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumeanau

Galette Surprise et son coulis de fruits rouges. De Laura Fernandez e Direção de Diego Brienza. La Mano Marca – IUNA, Buenos Aires Argentina. ************************************************************************************
Inicialmente gostaria de não esquecer de comentar dois pontos mais operacionais que já havia comentado com Diego ontem. O primeiro foi a ausência de criação, por meio de som e luz do outro espaço. O plano da sala do restaurante, seu ambiente, seus barulhos característicos que poderiam ir do efeito de realidade de uma sala normal de restaurante até o trágico desfecho quando já estão todos morrendo aos poucos. Trata-se de ajustar melhor o fluxo do atores nesse vai e vem entre sala e cozinha que acaba dando a base de realidade para que a situação possa evoluir para outro plano, para além do real. O segundo foi a grata e inusitada participação especial da atriz de Campinas. Apesar da surpresa que nos gera uma certa estranheza o estado dela pela procura do banheiro, naquela altura dos acontecimentos, não adensa o que a situação promete. Dali para diante, a procura pelo toalete deveria ser imperiosa, mais intensa, com a possibilidade de imaginarmos inclusive outras pessoas circulando a procura de melhora diante da contaminação. Este é o segundo texto de Laura Fernandez nesse Festival. Assim como o primeiro o título da obra é bastante sugestivo e apetitoso, Galette Surprise et son coulis de fruits rouges. Galette e Crepes são dois desses saborosos pratos realizados rapidamente, pela cozinha francesa. Fez mais ou menos à volta ao mundo e não há lugar que não haja uma creperia. Os dois pratos são feitos a base de farinha. Um doce, o crepe e o outro salgado, a galette. Aqui galette pode ser o prato e também o nome do restaurante. Como aquele imortalizado pela tela impressionista de Renoir, Le Moulin de la Galette que irradia a alegria preguiçosa de uma tarde de domingo daquelas figuras despreocupadas e descontraídas. O caso é que há uma surpresa nesse prato ou nesse restaurante. E mais do que isso, a galette está acompanhada de frutos vermelhos, uma saca ou uma sacola de frutos vermelhos... Seriam eles comprometedores? É servido aos espectadores, antes da entrada um pastelzinho (las empanadas) que provavelmente faz menção às especialidades servidas pelo restaurante. Entramos e nos defrontamos com a cozinha do dito restaurante. Uma natureza morta! A cozinha é por excelência um local de experiências. Talvez sejam as cozinhas as últimas lembranças de um local alquímico. O local da transformação. Não seria ela uma metáfora do próprio teatro, um local de transformação do espírito? A alquimia tinha três objetivos básicos: a transformação de metais inferiores em ouro; a procura pelo elixir da longa vida e a criação de vida artificial. Nesta cozinha está O Cozinheiro, caracterizado meio como que o falso Sheik Ahmed de Rodolfo Valentino, com a cabeça coberta, a se proteger, e seu uniforme branco característico de cozinheiro, o engenheiro da alquimia. O detentor das receitas. O mediador entre aquilo que entra cru e sai cozido. O senhor dos efeitos e dos segredos dos pratos. Aos poucos aprendemos que Ele, curiosamente, assim como o Sheik de Valentino, também é um Estrangeiro no país exótico onde vive, ele é um Cozinheiro francês. Normalmente, o estrangeiro é sempre motivo de riso e pilhéria. Seu sotaque e seu desconhecimento da cultura local, normalmente o envolve em confusões e mal-entendidos. Seria o caso aqui também? Também, por ser estrangeiro atrai a atenção e desfruta da primazia de ser o novo, o diferente, fonte de exotismo atrativa. E dessa forma parece ter despertado a atenção e a paixão na Moça (Garçonete), que na verdade é desejada pelo Moço (Garçon) que por sua vez é a paixão da Noiva (Gerente). Estamos quase lá “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante” de Peter Greenaway. Estamos quase lá, no universo do filme citado pela peça ou aludido pela encenação, visto que sobre a mesa de preparação dos inocentes crepes e galettes, apesar de não dar para ver muito bem, ao final do espetáculo, é revelado o desenho de um corpo disfarçado por frutas e alfaces. Estamos quase lá no canibalismo do filme. Eu disse quase... Apesar desse quarteto estar enfeitiçado pelas paixões e pelo amor isso só se realiza num plano onírico, ou do desejo sonhado, desenhado pelos flashs da luz vermelha. Entretanto, o único que parece não se manifestar no extravasamento de sua paixão é o próprio Sheik, o Cozinheiro. Enquanto essas declarações de amor vão se sucedendo no ambiente dessa cozinha subterrânea, no fundo do sonho, vai transcorrendo no alto, na sala do restaurante o pesadelo. Uma espécie de contaminação geral dos clientes, uma sorte de epidemia, uma peste que se abate sobre eles, uma contaminação geral de todos por uma intoxicação advinda dos pratos ali preparados. Todos os clientes são abatidos, até aqueles que não comeram e que só beberam, um efeito alquímico destruidor, de vasta proporção, que os arrasa. E não há saída, pois se eles regurgitam logo se contaminam pelo retorno de seus próprios vômitos, o que acaba reforçando a impossibilidade de salvação e só aumenta a contaminação geral. A maneira dos Rinocerontes de Ionesco, a população dos clientes do restaurante vai se transformando nessa massa putrefata de corpos abatidos pelo mortífero efeito do veneno. Assim como nós que também provamos no início as empanadas... Do quarteto amoroso e apaixonado quem seria o assassino? Todos suspeitam de todos? Não há acusações. Quem teria motivos para envenenar toda essa população? Com qual a motivação? Vingança? Nosso Sheik, cozinheiro insatisfeito? A única coisa a fazer é se salvar abandonar o barco, fugir. E aí os planos de fuga são esboçados. Ao partirem, continuarão, assim, de lugar em lugar brincando de assassinos? Aproveitando-se da falsa aparência de uma inocente creperia para contaminar a todos com seu jogo mortífero? Parece haver algo de podre na Sala de Jantar e de Doente, muito doente na cozinha do Galette-Argentina.

Festival Internacional de Teatro Universitário - Blumenau

Sapato sujo na soleira da Porta. Orientação, Grácia Navarro. Grupo do Trecho, UNICAMP, SP.
************************************************************************************* Fomos convidados a tomar um ônibus e seguir para o local escolhido pelo Grupo do Trecho. – “Para uma visita ao Albergue da cidade”, informou a voz que organizava a excursão. Quanto mais nos distanciávamos do centro da cidade, deixando pra trás a cenografia fake do cenário da colonização alemã, mais adentrávamos na Blumenau profunda, em um dos seus interiores que até então a festa do festival e o movimento da rua XV nos impediam até de imaginar que isso existiria por aqui. Saímos do centro e fomos para periferia, fora do centro. Pouquinho antes de chegar uma atriz representando um Repórter se junta ao grupo e procura “adensar”, nosso olhar e nossa percepção sobre nosso destino, com seus comentários e perguntas. Não precisava exagerar na visita guiada, o grupo já ia tirando suas conclusões e meditando sobre a excêntrica viagem. Sua tentativa de travar uma conversa com os passageiros-espectadores da excursão parecia querer esquentar, preparar-nos para visita guiada até o local da situação, uma espécie de prólogo cifrado. Eu aproveitava para meditar sobre o fato de que, de maneira geral, é no percurso que nos transformamos efetivamente em espectador, que nos colocamos em estado de alerta e interesse diante do fato teatral. Isso para qualquer espetáculo. Chegamos. Ao adentrarmos nos limites do Albergue nos deparamos com outro personagem, aquele do “Eu sou um engodo!”, de chapeuzinho Árabe. A visita guiada não é tão guiada assim, pois se trata de uma reportagem que está acontecendo, onde a Repórter além de tirar fotos parece irradiar ou gravar os acontecimentos com um outro aparelho meio rádio, meio gravador, pouco importa, isso não faz a menor diferença. A repórter parece conhecer tudo que de antemão pergunta. Não há surpresas. Ela transita pelo espaço como se o conhecesse. Ela não o descobre. Seria ela uma albergada que fingiria ser um repórter para dar algum sentido a essas vidas reclusas? A minha primeira impressão como espectador-visitante ao local é de total violência! É ultrajante! É um abuso desnecessário explorar esse ambiente de onde se depreende uma sórdida precariedade local. Qual o limite entre a ficção e o real? O real é a realidade daquele ambiente, carregado de um odor característico; úmido molhado; o provisório das instalações, e tudo que todo mundo viu e pode imaginar. Não vou me alongar. De onde estava via os beliches escuros e as cobertas, imaginava o estado daquelas instalações pelo interior; o frio opressor; a chuva; a lama; o sapato sujo na soleira da porta; algumas figuras deitadas em suas camas olhando fixamente o nada; pouca gente de lá assistindo a peça. Comparava aquelas instalações e ambiente do Albergue, com a da Colônia de Paracambi, no Rio de Janeiro, que visitei há tempos atrás. Enquanto eu trocava umas rápidas palavras com o Sr. e a Sra. que me explicavam sobre os tapetes e as sacolas que eles produzem e que são vendidos na PROEB, a representação da reportagem prosseguia e cada vez mais nosso falso guia, a Repórter adentrava-nos no coração do seu fato jornalístico; ou seria uma pesquisa antropológica? Ou um programa daquele tipo Mundo cão! Não... A reportagem avançava. E das entrevistas a Repórter arrancava dramas que se sucediam, foi-nos contadas as histórias da Loura, da Noiva, do Mergulhador, com direito à participação especial de algumas albergadas, uma como Cigana, a outra como Dama de Honra da Noiva e a Mulher do Bar... Nosso turismo exótico continuava... Por conta da situação ficcional ouvíamos sempre relatos do Eu. Depoimentos. Isto é uma espécie de Dramaturgia do Eu-Biografado que era reiterada por cada ator ao representar seu Tipo-Afligido pelo flagelo da desesperança e do esquecimento. Todos, não só os seres ficcionais e os albergados, todos ao perdermos algo, passamos a construir a espera por outro algo. Em alguma medida essa construção simbólica se instaura. Parece ser essa também a crise das figuras ali representadas, incluindo a Repórter. O Relato da perda e da tentativa de reparação que nunca chega. A projeção para o futuro por conta do Encontro redentor! O caso é que meu espírito mantinha-se dividido. Pra mim isso que acabo de descrever não era o mais importante. Era assistido de rabo de olho. Apesar de reconhecer que todos os integrantes do grupo são muito bons atores dando claras demonstrações de suas habilidades e competências performativas. A realidade chamava meus olhos com a urgência que só a vida pode ter. E eu pensava... Mas, por que trazer essas histórias para esse ambiente? Não havia albergados lá ontem? Se eu fosse Albergado, deprimido e estivesse no estado daqueles senhores lá, isto é, no limbo existencial, “mas é nunca que eu queria ver a história da minha vida sendo contada, repetda assim na minha cara e diante de todo mundo...” Meio sociodrama ou psicodrama... Vou explicar para o Sem Terra, o que é não ter a terra? Ele sabe melhor do que eu. Talvez, sim, possamos fazer alguma coisa juntos e permitir que ele me descubra integralmente e me reconheça como um outro. Coisa difícil para quem perdeu sua estima. Eu deduzia... Mas o Grupo deve ter feito uma pesquisa de campo, um exercício antropológico para descobrir essas histórias todas que está nos contando, mas por que contá-las nesse lugar? Ele é imprescindível? Que diferença faz contar aqui ou na rua? Ou numa praça ou parque? Claro, entendi que não se trataria aí de teatro de rua, mas sim de teatro na rua... Saímos do centro e fomos para periferia. E na periferia permanecemos. Pois nossa visita turística também foi periférica. Só circulávamos no perímetro do albergue sem adentrar em seu centro. Talvez tenha sido uma imposição do pessoal da Sala dos Educadores do Abrigo? Pouco importa... Só corremos o perímetro do perfil daquelas criaturas, jamais seus corações... O Grupo escolheu os lugares mais adequados para “representar” suas histórias, esses documentos de vida e morte, mas sempre contornando o problema, assim como contornava a própria dramaturgia do espetáculo que dava voz ao excluído. No plano ficcional, pareceu-me que a representação da reportagem terminara quando a Repórter fora tragada pelas demais figuras por conta de um saturamento provocado por sua intromissão num “universo” que acabava por subtrair a sua voz de matraca. Fim! Aplaudo? Vou aplaudir o que? A miséria humana? A solidão do Sem domicílio Fixo? A atuação dos artistas que é capaz de imitar com sucesso um ente desesperado, sem abrigo e meio biruta? Eu já sou tímido. Fiquei mais intimidado ainda diante da possibilidade de manifestar fisicamente o que quer que fosse ali, diante daquelas pessoas, diante do que aquela instituição significa. E depois tem o apito! Aquela autoridade meio rerpressora... Impasse. Apesar da construção de um realismo fantástico ou meio mágico por conta das atuações, como bem me comentou o prof, Stephan em nosso bate papo depois, constatei pra mim a total inadequação daquele lugar para realização de vocês, e constrangimento que parece era maior para nós na condição de espectador-turista. Para os Albergados ficou, suponho, com licença da presunção, suponho que tenha ficado somente, a indiferença, graças ao artificialismo da situação. Nos perguntávamos já na volta, com o Renato, Natasha e uma Senhora que era público de verdade: Os Albergados elegeram vocês para contar as histórias de vida deles? O que legitima a posição do grupo diante de tamanha intromissão num ambiente que não acrescenta, absolutamente, nada à história que o grupo quer nos contar? E aí? Você chega, pede licença monta sua peça. Eles ajudam um pouquinho. Vamos embora e fica tudo como estava antes. Se o teatro é uma arte tão subversiva e transformadora, em que medida vosso grupo anda operando essa transformação pelos Albergues que vem passando. Bacana! Teatro como ação social e movimento de reintegração na vida tributária daqueles que ainda não se adaptaram bem a ela. Bacana... Seus Biografados, aqueles da pesquisa de campo. O que receberam de vocês? Ou, o que mudou na situação deles depois que vocês apresentaram as suas histórias ficcionais baseadas nessas histórias reais? Num dos filmes que o prof. Faleiro selecionou para mostra de Vídeo, a um em especial que se destaca e pode ajudar-nos aqui na nossa meditação sobre o caso específico de ontem, Um Soleil à Kaboul. Nesse documentário onde Arianne Mnouchkine e sua trupe se deslocam até o Afeganistão ela oferece aos teatristas locais o que ela sabe fazer de melhor, é claro, o seu teatro, oficinas. E em meio à delicada experiência de trocas simbólicas interculturais, com o risco da guerra, ela diz a um grupo de atores afegãos que eles têm uma missão. A missão deles, segundo ela, é trabalhar na reversão do uso da burka que o costume cultural local impinge a Mulher. Sabe lá o que é ter que ver o mundo por uma janela que ao mesmo tempo me esconde de tudo... O que me interessa aqui é pensar essa atribuição de uma missão? Quem delegou essa missão a vocês necessita trabalhar para ajustar o curso das relações, para pensar estratégias e procedimentos que ultrapassem o próprio teatro, se for o caso, naturalmente. O problema que o trabalho de vocês nos coloca é o problema da ética, como todos estamos a comentar. Da ética profissional. Quais são os limites das relações estabelecidas entre entrevistador e entrevistado? Eu tenho a autorização desses seres estudados para por sua as suas trajetórias em cena? Apesar de recriadas poeticamente? A pesquisa de vocês envolve seres humanos, apesar de serem aqueles que estão em estado de risco, de abandono, e sem domicílio fixo, quase ninguém. Os procedimentos dispensados por vocês na apresentação são de natureza absolutamente invasiva e intimidante. Pode ser que vocês se sintam protegidos por se “transformarem” em mais um deles, albergados, e todo esse desconforto seja só meu de espectador inadvertido. Acho que têm razão Joazinho Trinta que disse: “O povo gosta de luxo. Quem gosta de pobreza é intelectual”.